Nesta série que começou em 2008, sinto a renda como uma membrana poética que habita o entre -lugar, aquele espaço sutil onde o meu mundo interior toca a pele da realidade. Para mim, o ato de criar é indissociável do ato de fiar memórias. Por isso, conduzo meu pincel como se fosse uma agulha de crochê, tecendo a tinta sobre a tela para inventar uma escrita de silêncios, onde o vazio não é ausência, mas o próprio fôlego da obra.
Ao sobrepor a delicadeza do bordado à pulsação vibrante das cores, busco traduzir a dualidade que nos compõe: a alma que transborda em abismos de matizes e a trama social que nos molda e sustenta. Obras como A encantadora mulher rendeira e Me ensina a fazer renda... são labores da mãos ancestrais ,transformando o cotidiano doméstico em um manifesto de força e resiliência.
Cada laçada que dou com o pincel é um instante retido no tempo, um nó afetuoso que nos lembra que a vida é feita de conexões frágeis aos olhos, mas inquebráveis ao coração. Pintar, para mim, é o esforço de unir o que o tempo dispersou, dando corpo, cor e contorno ao que habita a imensidão do sentimento.
Título: Renda I
Dimensão:45x75cm
Título: Renda II
Dimensão:45x75cm
Título: A encantadora mulher rendeira
Dimensão:60x70cm
Vendido
Título:Me ensina a fazer renda...
Dimensão:90x70cm
Vendido





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